segunda-feira, 17 de março de 2014

Carta da 37ª Romaria da Terra e do 9º Acampamento da Juventude

1. A 37ª Romaria da Terra e o 9º Acampamento da Juventude é fruto de meses de trabalho nas comunidades e movimentos, incentivados pelo nosso irmão e pastor, Dom Jaime, arcebispo de Porto Alegre, arquidiocese que os acolheu, que conclamou a todos e todas para, “inspirados no Evangelho e orientados pelas opções de Jesus pelos menos favorecidos, os pobres e excluídos, participar de forma ativa nesta manifestação de solidariedade para com tantos de nossos irmãos e irmãs que não têm um pedaço de terra para viver dignamente. A Terra nos oferece o necessário para o sustento; mas precisamos também aprender a dela cuidar para que todos possam gozar daquilo que hoje se denomina vida saudável”. 
2. E nos dias do carnaval de 2014 (2 e 3 de março), 500 jovens do Rio Grande do Sul, da Pastoral de Juventude, da juventude do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, do Levante Popular da Juventude, do Movimento de Trabalhadores Desempregados, da juventude do Movimento dos Atingidos pelas Barragens, da Pastoral da Juventude Rural, da Pastoral Popular Luterana e do movimento “Juntos”, compromissados com os valores e as causas da Reforma Agrária, da Cooperação e da Agroecologia como modo de organizar a vida e a defesa da Mãe-Terra, estiveram reunidos no 9º Acampamento da Juventude, no Assentamento da Lagoa dos Juncos, em Tapes.
3. Acolhidos com entusiasmo pelos moradores do Assentamento e pelas equipes que já vieram antes para preparar o espaço para o Acampamento e a Romaria, logo se integraram e, com muita energia e entusiasmo, com palavras de ordem, canções diversas e muito debate, foram reafirmando a disposição de serem sujeitos protagonistas de uma nova sociedade, justa, fraterna, socialista.
4. Refletimos sobre a realidade, ouvimos os clamores que brotam das mais diversas situações de exploração e opressão, geradas pelo sistema capitalista e procuramos compreender os desafios que nos são colocados para aprofundar o processo de transformação para que haja vida digna e abundante para todos e todas, assumindo os seguintes compromissos:
- Denunciar o sistema capitalista como intrinsecamente perverso em seu DNA, pois sua lógica de acumulação a qualquer preço, movido pela ganância, gera as divisões sociais, exploração, opressões diversas, sofrimento e morte.
- Retomar e aprofundar a defesa da Reforma Agrária, condição inclusive para avançar na agroecologia e na agricultura de base camponesa.
- Denunciar o agronegócio como um sistema que tem como lógica o lucro e se sustenta na exploração do trabalho e dos recursos naturais, em contradição com a agricultura camponesa.
- Defender os diversos sistemas da biodiversidade e fortalecer a luta contra os agrotóxicos, pois estes matam.
- Impulsionar a produção e o consumo saudáveis, defendendo e praticando a agroecologia, sem ter medo das mudanças.
- Resgatar a política como a ação em favor do bem comum, essencial nos processos de mudança da realidade, e como a mais alta forma de amor ao próximo.
- Investir no fortalecimento do trabalho de base e na construção da mais ampla unidade entre os explorados e excluídos.
- Lutar pela igualdade de gênero.
- Respeitar e considerar justa toda forma de AMOR.
- Defender políticas públicas substantivas para a população trabalhadora, em especial para a juventude e lutar contra a privatização dos serviços públicos.
- Impulsionar um processo de trabalho de base permanente de formação sobre as políticas públicas e o papel protagonista dos jovens e da população em geral na sua efetivação.
- Educar e mobilizar a juventude e a população trabalhadora para a participação das mesmas nos espaços de construção das políticas públicas e do controle social do Estado.
- Comprometer-se com o Plebiscito popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana pela Reforma do Sistema Político.
- Impulsionar a participação das mulheres nos espaços de poder e decisão de nossa sociedade.
- Construir espaços de formação permanente sobre a questão de gênero, envolvendo homens e mulheres, na perspectiva de superação de todas as formas de patriarcalismo e machismo em todos os espaços da vida.
- Investir em formas de comunicação para garantir um direito fundamental em qualquer processo de construção da liberdade, o da informação, o que nos convoca ao engajamento na luta pela democratização dos meios de comunicação.
- Denunciar a FIFA e os processos da Copa como mecanismos de fortalecimento da lógica dos grandes negócios, de violação direitos de muitas pessoas, em detrimento de investimentos em áreas essenciais para a população, como habitação, saúde e educação. (A Copa não é do Brasil e sim da FIFA”).
5. No dia 4, esse/as jovens juntaram-se aos milhares de Romeiros e Romeiras que vieram de todos os rincões do Rio Grande e mesmo de vários outros estados para celebrar a história de lutas dos povos da Terra por justiça, igualdade e liberdade, com quem compartilharam e celebraram esses compromissos.
6. Animados e encorajados por tantas testemunhas que doaram suas vidas por estas causas em defesa dos pobres, no seguimento de Jesus de Nazaré, renovamos o desejo de que os bons frutos desta Romaria da Terra possam repercutir bem na vida de todas as nossas Comunidades de fé e de luta. 
Tapes, 4 de março de 2014

sábado, 1 de março de 2014

37ª Romaria da Terra em Tapes

37ª ROMARIA DA TERRA
ASSENTAMENTO LAGOA DO JUNCO
TAPES/RS - 04 DE MARÇO DE 2014
Neste Carnaval de 2014, no dia 4 de março, acontece no Assentamento Lagoa do Junco, Tapes/RS, a 37ª edição da Romaria da Terra do Rio Grande do Sul, sempre promovida pela Comissão Pastoral da Terra (CPT-RS) e Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Sul 3), com a participação solidária de outras igrejas cristãs. 
Neste ano a Romaria é acolhida pelas famílias de Tapes, de modo especial, do Assentamento Lagoa do Junco e a Paróquia de Nossa Senhora do Carmo, com o Vicariato de Guaíba e a Arquidiocese de Porto Alegre.
Nesta 37ª edição, a Romaria da Terra tem como tema: "Reforma Agrária, Cooperação e Agroecologia" e o lema: "Cultivar Vida Saudável".
No blog da CPT-RS tem uma página específica sobre a Romaria com diversos textos de subsídio para estudar o tema que está direcionado para a importância da Reforma Agrária como uma forma de justiça social, de promoção da agroecologia e a cooperação na produção de alimentos saudáveis.
Leia no blog da CPT, os textos sobre o tema e diversos depoimentos sobre a Romaria da Terra: http://cptdors.blogspot.com.br/

Relato da Presença da IEAB no Congresso do MST

Enviado em 18 de fevereiro, por Paulo UETI, Facilitador Regional para América Latina y el Caribe, Alianza Anglicana.

Justiça e paz se abraçarão! Cantamos com o salmista a alegria e o júbilo da verdadeira religião (Am, Is, Tg). 

Semana passada aconteceu o VI Congresso Nacional do MST (movimento dos trabalhadores e trabalhadoras sem terra) em Brasília. Mais de 15 pessoas estiveram presentes celebrando, lutando e expressando que outro mundo não é só possível mas já está acontecendo. Ainda a muito caminho, a jornada não acabou e é difícil, mas em solidariedade e fé o movimento segue e nós, pessoas de fé e religião, acompanhamos do mesmo jeito que Jesus acompanhou as pessoas mais vulneráveis e foi testemunha que Deus não as esqueceu e continua com elas. 
Rev. Gabas e Yvi da Diocese de Curitiba estiveram presentes durante o evento, assim como  Bispo Maurício e eu mesmo. Nosso primaz se fez presente através de uma saudação (postada neste blog). 
Compartilho o boletim do Congresso (Clique AQUI para abrir o link). Vale a pena inteirar-se para seguirmos em movimento de solidariedade e muita oração para que "Venha Teu Reino Senhor"... 
Um abraço terno e fraterno.

----------------------------------------------
Testemunho de Yvi Leisi - Londrina-PR:
Participei do VI Congresso Nacional do MST para presenciar e entender um pouco mais sobre as lutas dos trabalhadores sem terra e aprofundar a discussão sobre a reforma agrária e socialismo.
O Congresso levantou discussões muito positivas, colocando em pauta aspectos fundamentais como a batalha que temos de traçar contra o imperialismo estadunidense e as multinacionais. Além disso, colocou a luta por reforma agrária novamente na pauta do governo.
Penso que o momento mais marcante foram as místicas realizadas, que mostraram toda a batalha enfrentada pelo Movimento e sintetizaram esses 30 anos de luta e conquistas.
A igreja deve estar envolvida com os trabalhos do movimento para ajudar a fortalecer as reivindicações. A igreja deve ter não apenas num envolvimento político, mas uma presença atuante em acampamentos e assentamentos, assim como se realiza em Cascavel, na pessoa do Reverendo Luiz Carlos Gabas.
Percebi durante o Congresso de que pelo menos 60% dos integrantes da plenária eram jovens que lá estavam lutando por seus direitos. Um recado que eu deixo à juventude é sempre ler, entender, e se engajar mais na luta, que pertence a todos.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Carta do Primaz ao Encontro do MST

Santa Maria, 10 de Fevereiro de 2014

E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre. Isaías 32,17

A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) congratula e se solidariza com a celebração do VI Congresso Nacional do Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais Sem Terra do Brasil. O MST há trinta anos organiza sonhos e desejos de vida plena, defende os direitos ao acesso democrático e humano a terra, ao trabalho, a alimentos livre de venenos e luta contra o preconceito de grupos que por centenas de anos permanecem em situação de privilégio e dominação em nossas terras.
São três décadas de sonhos, mobilizações, lutas e conquistas para um Brasil melhor e para uma sociedade onde a justiça e a paz se beijam (cf. S. 85). Reconhecemos suas ações e colaborações na firme defesa de pessoas excluídas dos meios de produção deste país rico e extenso, mas dominados por uma elite que concentra, domina e é a aliada da violência para manter seus privilégios e a todo custo defender seus lucros.
A terra e a humanidade são expressão da Palavra de Deus, por sua “ordem todas as coisas vieram a existir: a vastidão do espaço entre as estrelas, as galáxias, sóis, os planetas em suas órbitas, e esta terra frágil que é nosso lar. Dos primeiros elementos fez surgir a raça humana e a abençoaste com  memória, razão e sabedoria…”  (cf. Livro Comum de Oração p.81).
Essa é a religião que a família anglicana celebra e defende. Uma religião que reconhece e defende a vida, especialmente os mais empobrecidos e excluídos, e o planeta, usurpado pelo lucro e pelo egoísmo de poucos, como expressão de um Deus que ama e se entrega para que a vossa alegria seja completa (cf. Jo 16:24c).
Como igreja de Deus neste país a Família Episcopal Anglicana se junta ao MST, um dos maiores aliados da sociedade brasileira, neste tempo de graça e martírio e conclama a todas as pessoas de boa fé na missão, também cumprida por este movimento, de “responder as necessidades humanas com amor, buscar a transformação das estruturas injustas da sociedade e a lutas pela salvaguarda da integridade da criação, sustento e renovação terra” (cf. Cinco Marcas da Missão-CCA e CL 1988).
Nosso compromisso como igreja deve ser claro e irredutível no reconhecimento, apoio e envolvimento com movimentos que  lutam pela justiça e direitos do planeta e das pessoas que nele habitam, que fazem campanhas para que nossos alimentos sejam sem venenos e nossa agricultura seja principalmente para  alimentar a população que passa fome. A terra e a vida pertencem ao Senhor. Não se pode ficar parados enquanto a maioria da população sofre e é explorada ou escravizada por uma minoria ainda poderosa neste país.
Convido a todas as pessoas das comunidades da família anglicana a fazer um momento de oração pela realização deste congresso em Brasília na semana de 10 a 14 de Fevereiro. 15.000 sem terras e parceiros de outros grupos e organizações estarão celebrando 30 anos de vida e de luta pela cidadania e dignidade. Tanto já foi conquistado mas ainda falta muito e nossa fé deve ser expressão do amor de Deus. Nossa religião é aquela que se coloca ao lado dos “mais pequeninos violentados e excluídos” (cf. Mt 25:31-46), tem misericórdia e publicamente a expressa, mesmo que isso leve a Cruz.
Nossa Igreja se fará representar neste Congresso pela presença de meu irmão e bispo Mauricio Andrade, bispo diocesano de Brasilia e companheiro de caminhada nas lutas pela justiça e dignidade.
Ubi Caritas et Amor. Deus ibi est. Onde está a solidariedade e o amor Deus aí está.

++ Francisco de Assis da Silva
Primaz do Brasil e Diocesano em Santa Maria

NOTA: A DAC está representada por alguns irmãos e irmãs do Assentamento “Olga Benário” em Sta. Tereza do Oeste/PR onde a Paróquia da Ascensão mantêm um Ponto Missionário e também pelo Ven. Arc. Luiz Carlos Gabas. 
Imagem: MST

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Nossa água

Chegou o verão e pelo menos em Porto Alegre, muitos tem um motivo a mais para comprar água mineral. No nosso verão aumenta o desenvolvimento de algas no Guaíba que acabam deixando um leve gosto na água que bebemos da torneira. Agora, fora este inconveniente, você já se perguntou porque tomamos tanta água engarrafada?
Convido vocês a darem uma olhada nesse vídeo:

O sistema público de abastecimento no Brasil é obrigado (felizmente) a obedecer normas bastante restritivas para garantir que a água que chega nas nossas torneiras seja potável. E isso é bastante caro. Mesmo assim, muitos ainda tem preconceito em tomar água da torneira e acabam bebendo sempre água engarrafada. Que como vimos no vídeo custo muito mais caro e para o nosso bolso e para o meio ambiente. Então fica o incentivo para consumirmos mais água da torneira. Mas cabe lembrar que, para garantir a qualidade da água que bebemos, devemos fazer limpezas periódicas nas caixas d'água. O recomendado é que seja feito no mínimo uma limpeza a cada seis meses.


sábado, 4 de janeiro de 2014

O Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento

A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) recentemente implantou o seu Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento (SADD) com o objetivo de acompanhar, orientar e fortalecer as experiências diacônicas da Igreja, bem como facilitar a capacitação e articulação dessas experiências no âmbito provincial.

No site do SADD (www.ieab.org.br/sad), você poderá explorar 4 bancos de dados que contribuirão para a concretização do SADD.
1) Banco experiências: mapeamento das atuais experiências de diaconia social na IEAB quanto à variedade de atividades, objetivos, sujeitos, motivações, articulações, desafios e fontes de recursos;
2) Banco recursos humanos internos e externos, para atender às necessidades de formação, por exemplo, sobre a preparação de certidão para fundações filantrópicas. Este banco deve estar articulado com o trabalho do Centro de Estudos Anglicanos (CEA);
3) Banco fontes: requisitos e procedimentos de fontes de recursos públicos nacionais e da cooperação e internacional.
4) Banco instâncias: o mapeamento das instâncias (dioceses, distrito, paróquias, missões, pontos missionários ou instituições) da IEAB.
Há relações entre os bancos e eles usam as mesmas listas pré definidas de descrições com palavras chaves. As pessoas que têm uma senha, podem cadastrar, editar e excluir os dados.

Você pode obter mais informações através do site do SADD (www.ieab.org.br/sad), onde, além dos bancos de dados, também disponibiliza uma página de notícias, um formulário de contatos, uma lista de pessoas que são referência do SADD em cada diocese.

Pastoral Anglicana da Terra e a Luta dos Guarani por demarcações

No dia 13 de dezembro, o Vereador Paulo Porto e o Ven. Arc. Luis Gabas deslocaram-se para a cidade de Guaíra/PR. Lá encontraram-se com um casal que ali reside e trabalha. Ambos são devotados à causa indígena, apesar das pressões, perseguições e ameaças que sofrem do agronegócio, da mídia, dos políticos e das associações classistas locais. Há uma guerra declarada contra o Povo Guarani. Até um padre deu determinações de que os indígenas não tivessem acesso à água de uma determinada capela, porque não queria correr o risco de perder o “abençoado” dinheiro dos grandes. O Revdo. Gabas salienta que lhe veio à mente o modelo de Jesus Cristo e suas opções em favor do Reino.
O sr. Lauro juntou-se ao Revdo. Gabas e ao Ver. Paulo, e foram para o município de Terra Roxa/PR, até as barrancas do Rio Paraná. Dali puderam vislumbrar a imponente Ilha Grande, aparentemente ainda bem preservada.
Estavam sobre um sítio arqueológico que remonta ao século XVI, prova contundente de que se trata de um antigo território Guarani. Cacos de cerâmicas estão por todos os lados… Profanadores deste local sagrado instaram sobre ele uma mineradora que explora o leito do Rio Paraná, uma associação de pescadores e até um CTG (Centro de Tradições Gauchas).
Não faz muito, e com todo o direito do mundo, famílias Guarani reocuparam à área. Não são muitos, mas querem permanecer num território que por herança e direito lhes pertence desde muitos séculos. A preservação da sua identidade cultural, da língua, dos costumes e da religiosidade dependem em muito de territórios tradicionais como este.
O pior de tudo é que os Guaranis, milenares senhores destas terras do oeste do Paraná, estão sem nenhuma proteção do Estado e entregues à ganância avassaladora do agronegócio. A mídia, políticos influentes e organizações classistas plantam informações fantasiosas e mentirosas sobre os indígenas, gerando medo, rancor e ódio na população.
Mas a utopia Guarani da “Terra sem Males” continua viva e consistente. Nhanderú (Deus) está com o Povo Guarani e sua luta por Tekorá (terra, onde preservar a cultura, a língua, os costumes e a religiosidade).
Em nome das Dioceses Anglicana da Califórnia (EUA) e de Curitiba e da Associação Beneficente ‘Solidariedade e Paz’ da Paróquia da Ascensão em Cascavel/PR entregamos um barco aos indígenas da Aldeia ‘Araguadu’, tendo em vista a segurança alimentar dos seus moradores.

Por Ven. Arc. Luis Carlos Gabas
Diocese Anglicana de Curitiba